segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Capacidade visual afeta desenvolvimento da criança

Até dois anos a visão da criança se desenvolve 90% e necessita de acompanhamento de uma especialista

Existem diversos testes de visão que podem ser aplicados tanto em bebês quanto em crianças. É o que explica o oftalmologista pediátrico Arthur Limongi, acrescentando que a visão se desenvolve 90% durante os dois primeiros anos de vida e que é durante esta fase que a criança aprende a fi xar, a movimentar os olhos de maneira conjunta e a perceber profundidade. “Toda e qualquer alteração durante esta fase que não tenha sido corrigida pode acarretar prejuízos na visão para o resto da vida”, afi rma. “A visão é o mais importante sentido do ser humano, por meio dela recebemos mais de 80% das informações do meio ambiente a integridade visual é importante para que o desenvolvimento
da criança aconteça de maneira adequada”, completa.

Além disso, continua ele, o desenvolvimento motor da criança durante o primeiro ano de vida é diretamente relacionado à sua capacidade visual. “O que muitas vezes parece ser um atraso de desenvolvimento pode, na verdade, ser deficiência visual, facilmente diagnosticada e, na maioria
das vezes, tratada. Os outros 10% do desenvolvimento visual ocorrem até 7-9 anos de idade”, completa. Segundo Limongi, na maioria dos serviços de neonatologia do país, os olhos dos recém-nascidos ainda não são adequadamente examinados. “Como resultado, mais de 50% dos recém-nascidos só tem a alteração descoberta quando estão cegos ou quase cegos”, declara, esclarecendo que o retinoblastoma, tumor maligno que tem o pico de incidência em torno de 18 meses de idade, no Brasil é diagnosticado tardiamente em 60% dos casos, quando já não é possível salvar o olho e algumas vezes até a vida da criança.

ERROS DE REFRAÇÃO
É chamado de olho preguiçoso quando um dos olhos tem algum problema que difi culte a
visão – como um grau elevado para óculos em um dos olhos com o outro quase normal. “O
nome correto para este problema é ambliopia. É necessário tratamento com óculos e estimulação
para que o olho com o problema se desenvolva. Muitas vezes é necessário usar um curativo oclusivo
no ‘olho bom’ algumas horas por dia, para que a criança aprenda a usar o ‘olho mais fraco’. Quanto
mais precoce o tratamento melhor o resultado”, informa Arthur Limongi.

A hipermetropia é um erro de refração bastante comum, que faz com que as imagens entrem em foco atrás da retina – que é a parte do olho que capta a visão. Nesse caso, de acordo com Limongi, o
olho precisa ‘trabalhar’ para colocar os objetos em foco, mudando o formato do cristalino, que é uma lente presente no interior do olho. “Toda criança é um pouquinho hipermétrope, pois o olho
ainda não acabou de crescer. Portanto, a hipermetropia tende a diminuir. Quando a hipermetropia é maior do que a esperada para a faixa etária, surgem os sintomas: difi culdade na visão de perto, dor de cabeça, cansaço, desinteresse e falta de concentração nas atividades de perto”, enumera o oftalmologista. “Às vezes é até confundida com défi cit de atenção”, alerta.

No caso de miopia, as imagens entram em foco antes da retina. “O olho não consegue colocar as imagens em foco, pois teria que relaxar a acomodação, e o cristalino já está totalmente
‘relaxado’. Por isso o míope é mais dependente dos óculos, porque tem difi culdade para ver de longe, pode apresentar difi culdades na escola e ter necessidade de ver TV de perto”, esclarece Limongi, dizendo ainda que a miopia tende a aumentar com o crescimento dos globos oculares e costuma estabilizar somente em torno de 19-21 anos de idade. Já o astigmatismo, um erro de refração causado por alteração na curvatura da córnea, ocasiona falta de nitidez dos contrastes entre as linhas
horizontais, verticais e oblíquas. “O astigmatismo tende a não se alterar muito com o crescimento dos globos oculares, mas causa dificuldade para longe e perto, dor de cabeça, cansaço, falta de concentração, troca de letras, dificuldade em seguir uma linha de um texto e a necessidade de ver TV de perto”, frisa o médico.

Exames desde o nascimento
PREMATURO
O prematuro que nasce com menos de 1500 e/ ou 32 semanas e os que nascem entre 1500 e 2000 g
se permaneceram no oxigênio por mais de 30 dias e/ ou tiveram septicemia ou convulsão, apresentam risco maior de desenvolver retinopatia da prematuridade que é uma importante causa de cegueira infantil. O primeiro exame de mapeamento da retina deve ser feito entre a 4ª e 6ª semana de vida e deve ser repetido até a completa vascularização da retina, por volta de 42 semanas. 
A periodicidade do exame, assim como o tratamento, dependerá do estágio da doença.

TESTE DO OLHINHO
Todo bebê antes da alta da maternidade deve ser submetido ao Teste do Olhinho. Por meio dele é possível detectar precocemente várias doenças oculares, principalmente as que precisam de tratamento urgente como a catarata congênita (segunda causa de cegueira infantil) e o retinoblastoma (tumor mais frequente da infância), que, quando diagnosticado precocemente, salva uma vida.

O exame deve ser feito pelo oftalmologista ou pediatra nos primeiros 30 dias de vida e deverá ser repetido, durante toda a infância, em toda consulta oftalmológica. É realizado com oftalmoscópio direto. O teste é simples, rápido e indolor. Qualquer suspeita de anormalidade; refl exo alterado ou ausente, a criança deve ser submetida a um exame com oftalmologista especializado, que inclui o mapeamento da retina. 

IDADE PRÉ-ESCOLAR
Na idade pré-escolar é importante o exame anual para medida da acuidade visual que é realizada com tabelas especiais de acordo com cada faixa etária para diagnóstico precoce da ambliopia, importante causa de deficiência visual de um ou ambos os olhos. Tem como principais fatores: erro de refração não corrigido (miopia, astigmatismo ou hipermetropia), estrabismo (olho torto) e a menos frequente, porém mais grave, a ambliopia de privação, a causada por catarata congênita e ptose (pálpebra caída).

IDADE ESCOLAR
O exame em crianças sem anormalidades deve ser anual para acompanhar a acuidade visual e diagnóstico precoce de outras doenças oculares. Em crianças com problemas oculares a conduta será avaliada para caso.

Revista Oftalmologia em Goiás, agosto de 2011.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Tabagismo é a principal causa do câncer de laringe

 
Fumantes têm 10 vezes mais chance de desenvolver câncer de laringe e, quando associado ao álcool, essa chance aumenta para mais de 40 vezes


Por PEDRO HENRIQUE MARÇAL PEREIRA | Otorrinolaringologista

Câncer é a proliferação descontrolada de células anormais no organismo determinada por uma alteração em nosso DNA. Normalmente nossas células vivem por tempo determinado e possuem um padrão de crescimento e multiplicação. As células cancerígenas não possuem esses padrões, multiplicam-se de forma desordenada e não morrem como as células normais.

A proliferação dessas células formam tumores, exceto em alguns casos, como leucemias, em que as células cancerígenas encontram-se no sangue. Nem todos os tumores são cancerígenos, podendo ser malignos ou benignos (o que não diminui a importância de avaliação). Diferentes tipos de câncer têm comportamentos diversos, exigem tratamentos desiguais, até mesmo quando se trata de câncer do mesmo órgão.

O câncer de laringe é um dos mais comuns na região da cabeça e do pescoço (cerca de 25% dos casos), acomete principalmente homens e representa 2% dos cânceres malignos. A laringe se divide em três partes: supra-glote (região acima das pregas vocais ou glote), glote (que são as próprias pregas vocais responsáveis por nossa voz) e sub-glote (região abaixo das pregas vocais). Desta forma, o câncer de laringe é dividido da mesma forma: supra-glótico, glótico e sub-glótico. Estatística de 2009 estima que ocorra, por ano, cerca de 9.320 casos novos de câncer de laringe e em 2008 cerca de 3.594 pessoas faleceram desta doença.

RISCOS
Os principais fatores de risco para o câncer de laringe são o consumo de bebida alcoólica e tabaco (seja em forma de cigarro, charuto, cachimbo, etc.). Fumantes têm 10 vezes mais chance de desenvolver câncer de laringe e, quando associado ao álcool, essa chance aumenta para mais de 40 vezes. A má alimentação, o baixo consumo de carnes brancas, legumes, vegetais e frutas ainda estão associados com a formação do câncer.

SINTOMAS
Os sinais estão relacionados ao local de início da doença e em que grau ela se encontra. Tumores supra-glóticos se apresentam principalmente com dor e desconforto para engolir. Na região glótica (pregas vocais) o principal sintoma é a rouquidão e na região sub-glótica a dificuldade para respirar predomina. Entretanto, esses sintomas podem ocorrer em todos os locais da laringe. A perda de peso, febre baixa, tosse crônica e fraqueza podem acompanhar todos os casos. O aparecimento de nódulos ou caroços no pescoço deve chamar a atenção para metástase (envio de células de câncer para outras regiões do corpo).

O diagnóstico é feito por meio da análise em microscópio de um pedaço da lesão suspeita (estudo histopatológico). A lesão pode ser vista por meio de um exame realizado no próprio consultório médico, de fácil realização, rápido e indolor, chamado laringoscopia indireta. O pedaço da lesão pode ser adquirido pelo próprio exame ou, mais frequentemente, é realizado uma pequena cirurgia para retirar uma amostra do local (biópsia da lesão).

TRATAMENTO
O tratamento do câncer de laringe depende do local de acometimento, da extensão que a lesão está em relação à laringe e se existe ou não metástase. Existe hoje tratamento cirúrgico e /ou radioterapia e quimioterapia associada à radioterapia. A proposta de tratamentos alternativos como administração de complexos alimentares, vitaminas, ervas e massagens com objetivos curativos não fazem parte do tratamento-padrão de câncer de laringe e não têm eficácia comprovada. A cura do câncer com a preservação da função da laringe (proteger a via aérea, respiração e fala) é o desafio dos médicos que tratam dos pacientes com esta doença.

Atualmente o estudo do câncer está voltado principalmente para análise molecular e genética com pesquisas de DNA. Já existem várias associações entre alguns tipos de câncer e alterações específicas em partes do DNA. Para o câncer de laringe ainda não houve uma associação específica bem definida.
Pacientes que foram submetidos à laringectomia total (retirada de toda a laringe, inclusive da prega vocal) podem fazer reabilitação da voz por meio de próteses fonatórias traqueo-esofageanas. Contudo, o maior avanço na área encontra-se na difusão entre médicos e não médicos dos fatores de risco para geração do câncer. A mídia divulga diariamente os riscos do tabagismo, do excesso de consumo de bebidas alcoólicas e das consequências de uma má alimentação.

ALERTA
A classe médica está bem orientada quanto ao câncer de laringe e o diagnóstico precoce está acontecendo mais frequentemente. Atualmente, a proibição de fumar em ambientes públicos faz diminuir o número de fumantes passivos (pessoas que, sem nenhuma intenção, inalam fumaça de tabaco utilizado por tabagistas) e a mudança da lei acompanha uma tendência natural da sociedade em se tornar mais saudável e esclarecida.

Revista Vida Nova, agosto de 2011.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Quem pode participar do Fest Médico?




Podem participar do Festival: Médicos, membros da Sobrames, acadêmicos de medicina, e parentes de médicos (primeiro grau - pais, filhos e cônjuge).

Parentes de médicos não recebem premiação, mas todos recebem diploma de participação.

O Fest Médico acontece nos dias 6 e 7 de Outubro, no Clube Jaó (Goiânia - Goiás)
Para se inscrever acesse: www.contatocomunicacao.com.br/festmedico

quarta-feira, 31 de agosto de 2011